11.10.11

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vivia só,
sozinho ele e o frigorífico branco,
e os seus livros.

comia no microondas
aquecidos os enlatados e
as ervilhas,
mas estas absolutamente verdes e cruas.

as mágoas,
que as tinhas muitas e profundas,
partilhava com as surdas putas
que de tempos a tempos fodia,
e a quem contava pequenas histórias,
grandemente inventadas.

um dia, outono há muitos anos,
de outubro,
teve um peixe vermelhinho,
curiosamente bizarro, porque nadar não nadava,
por medo de se afogar para sempre.

e portanto,
livre da ânsia de ter o que fazer,
só boiava
e nunca ia para a parte funda do aquário.

gordo de comida e de água,
largou já farto a vida
e morreu,
pelo expresso branco de porcelana.

o homem chorou,
lágrimas em número primo,
que escorreram salgadas.

e assim, ausente de futuro,
naquela casa vivia,
sozinho,
um homem que por nada ter
se sentia feliz

8.2.11

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andamos tão embrenhados com os facebooks e os twitters e o wikileaks, que se começa a criar a ideia de que tudo o que não existe neste admirável mundo novo não conta. convém não esquecer por exemplo que as revoluções no mundo árabe podem tirar partido destas tecnologias mas foram despoletadas por uma razão tão real e tão prosaica como um aumento brutal no preço dos alimentos na tunísia.
até os romanos sabiam que as massas se controlavam primeiro com pão e só depois com circo.

10.1.11

to do list.



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rita.

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sabes isto, rita?
sabo.

trouxeste aquilo, rita?
trouxi.

rita.

senta-se na sanita e tem sempre um livro numa mão enquanto a outra a ajuda a não cair para o rio lima e quando se sente bem instalada vira-se para nós e diz leias, leiasme o livo po favor.