vivia só,
sozinho ele e o frigorífico branco,
e os seus livros.
comia no microondas
aquecidos os enlatados e
as ervilhas,
mas estas absolutamente verdes e cruas.
as mágoas,
que as tinhas muitas e profundas,
partilhava com as surdas putas
que de tempos a tempos fodia,
e a quem contava pequenas histórias,
grandemente inventadas.
um dia, outono há muitos anos,
de outubro,
teve um peixe vermelhinho,
curiosamente bizarro, porque nadar não nadava,
por medo de se afogar para sempre.
e portanto,
livre da ânsia de ter o que fazer,
só boiava
e nunca ia para a parte funda do aquário.
gordo de comida e de água,
largou já farto a vida
e morreu,
pelo expresso branco de porcelana.
o homem chorou,
lágrimas em número primo,
que escorreram salgadas.
e assim, ausente de futuro,
naquela casa vivia,
sozinho,
um homem que por nada ter
se sentia feliz
11.10.11
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