Pouso no sofá o prato com as cascas e os três quartos de maçã que ainda não comi e enquanto mastigo o outro quarto suspiro e levanto-me lentamente e também lentamente arrasto-me até lá e resmungo para dentro que há de ser um destes dias que hei-de deixar de ter telefone fixo.
-Estou?, digo eu num tom de voz neutro mas ainda assim notoriamente sensual;
-Boa noite. Quem fala?, diz uma voz feminina apenas e só neutra;
-Quem fala daí?, resmungo eu;
-É a Luísa e queria falar com o dono da casa;
-Qual é o assunto? digo eu enquanto tento disfarçar o facto de estar a ruminar os últimos pedaços do quarto de maçã;
-O assunto é para ser falado só com o dono da casa, responde a voz com um mal disfarçado enfado;
-Minha senhora, ou me diz qual é o assunto ou esta conversa acaba aqui, digo eu com voz de maçã fuji daquelas boas mesmo durinhas;
-Então boa noite, diz a gaja;
-Então boa noite, digo eu.
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